quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Com 22 anos, jovem cria ateliê na PB e vende quase 10 mil doces por mês

Difícil de ser tomada para muitos, a decisão de ter um negócio próprio surgiu cedo para a jovem empresária paraibana Natália Mendonça. Com 22 anos recém-completados, ela já tem uma confeitaria em João Pessoa que, em um ano, viu a venda de doces finos duplicar para quase 10 mil unidades ao mês e o faturamento mensal quintuplicar no período. Entre as delícias do ateliê estão cupcakes, macarons, trufas e bem casados para festas e eventos.

Para tal resultado, ela garante que põe “a mão na massa”. “Eu começo todos os dias às 8h e normalmente vou até as 21h, 22h. O dia inteiro só produzindo doces, sem hora de almoço. Em dias mais corridos, fico até 1h, 2h”, revela a jovem empresária.

São tantos doces que a confeiteira não consegue nem calcular a quantidade de delícias que passam por suas mãos ao longo do dia. “Tem uma equipe para ajudar. Não tem como contar quantos faço sozinha, lavando o material que eu uso, limpando a batedeira para fazer de novo, é muita coisa”, explica.

Atualmente ela tem a ajuda de duas assistentes que contratou para a produção - mas a previsão é contratar mais três em breve. Quando tem demanda, a equipe é capaz de fazer mais de 1,5 mil cupcakes por dia, ou 1,1 mil macarons ou 1,8 mil bem casados. No geral, contudo, são entre 8 e 9 mil doces por mês para casamentos, na maioria dos casos. Os preços variam entre R$ 1,20 e R$ 3,50 a unidade.

Menina prodígio, a determinada empreendedora começou a vender doces na escola com 15 anos e, de lá para cá, não parou mais. “Minha mãe comenta que eu preferia assistir Ana Maria Braga a desenho animado, e eu adorava testar as receitas que assistia. Na maioria das vezes, doces”, revela.

A empresária participa de congressos de confeitaria e tira ideias e inspiração para novos doces (Foto: Divulgação/ Natália Mendonça Doces)A empresária participa de congressos e tira ideias
(Foto: Divulgação/ Natália Mendonça Doces)
Além das dicas na TV, a jovem conta que também sempre leu muitas revistas de culinária. “Eu sou muito autodidata (...). Comecei a fazer e vi que dava certo. No começo, minhas amigas viam que era bom e davam uma força. Depois, comecei a vender de forma mais profissional”.

Na época do colégio, os principais produtos vendidos eram os bombons dos mais variados sabores – do tradicional avelã ao exótico sabor de "pavê". “Eu investia muito na decoração deles, chegava a vender 220 por dia”, revela. Ela não lembra ao certo quando custava a unidade, mas recorda ser menos de R$ 1. “Era bem pequenininho, bonitinho."

Natália relata que não precisava tanto do dinheiro, porque contava com a ajuda dos pais, mas mesmo assim achou importante a independência financeira que adquiriu. Com o passar do tempo, chegou a trabalhar em um restaurante francês e até com os próprios pais, que abriram uma doceria influenciados pela filha. "Eles abriram uma doceria depois que eu comecei a vender muitos doces no colégio. Passei dois anos trabalhando lá"

Mas sentiu a necessidade de dar um passo a mais. No ano passado, saiu de casa e deixou a estabilidade do emprego com a família para montar seu próprio ateliê de doces com o dinheiro que havia juntado – no mesmo imóvel que alugou para morar. Ela contava com a ajuda de uma assistente para atender aos pedidos, que divulgava boca a boca. "Minha produção estava crescendo mais rápido do que eu conseguia imaginar, e eu estava preocupada com tanta demanda porque eu ainda não tinha estrutura".

Sociedade
Passaram-se poucos meses e ela conseguiu uma investidora, a artista plástica Vânia Maria da Silva, de 45 anos, que apostou no que chama de dom de Natália, para ampliar ainda mais o negócio.

“Fiquei sozinha abril, maio, junho e julho. Na metade de agosto eu já tinha me mudado e já estava com a sócia. Ela já tinha sido minha professora no colegial, estava com dinheiro para investir, viu que eu já tinha nome e clientes e precisava crescer. Ela precisava investir, veio como investidora e eu com o trabalho. Ela cuida de toda a parte burocrática e administrativa e eu cuido da produção”, afirma.

Vânia revela que a união tem dado certo. “Eu também sou apaixonada por gastronomia, não tenho a especialidade de Natália. Conhecendo o trabalho dela, vendo as técnicas que ela tem, vi como tem arte no trabalho que ela faz. As técnicas que uso, a construção das formas, fui vendo nas fórmulas do chocolates, as cores que ela consegue nos doces, as formas que ela faz (...). Fui vendo que o trabalho dela era super diferenciado”, explica Vânia.

Para resultados, ela garante que põe “a mão na massa”: rotina vai das 8h às 21h só fazendo doces e, em dias corridos, até a 1h ou 2h (Foto: Divulgação/ Natália Mendonça Doces)Rotina vai das 8h às 21h e, em dias corridos, até 1h
ou 2h (Foto: Divulgação/ Natália Mendonça Doces)
Crescimento
A expectativa é ampliar cada vez mais o negócio, com a mudança de local de trabalho no ano que vem e a contratação de mais assistentes. “Estamos batalhando para isso (...). A gente quer colocar um lugar onde as pessoas possam tomar um chá da tarde, com uma cozinha experimental, um lugar de cursos, com local de degustação”, explica a sócia.

O faturamento atual gira em torno de R$ 10 mil ao mês. “Era menos, começou com uns R$ 2 mil”, diz. Para crescer ainda mais, Vânia tem feito cursos voltados a administração no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Fiz dois cursos, estou no terceiro”.

Natália, por sua vez, participa de congressos e seminários de confeitaria e tira ideias e inspiração para novos doces. “Qualquer tempo livre que tenho estou estudando, lendo livros de confeitaria, buscando na internet informações do mundo inteiro”. Além disso, Natália já começou a dar aulas em cursos de confeitaria. “Estou me apaixonando por isso também”, diz.

Apesar de nunca ter tido dúvida do que queria, a empresária afirma que chegou a começar a faculdade em outra área, design de interiores, mas apenas pelo diploma. “Depois eu entendi que o diploma não ia fazer tanta diferença. É muito melhor eu investir esse dinheiro em um curso de confeitaria na França”, avalia. A viagem, inclusive, será feita no ano que vem. “A minha paixão é a confeitara francesa, tanto o visual como paladar. Eu gosto do açúcar como um realçador, e não como concentrador”, diz.

Falar sobre os sabores que inspiram seu trabalho, inclusive, também é um prazer para Natália, que assume ser muito perfeccionista, um dos segredos que considera para o sucesso. “Sou muito chata, sou muito perfeccionista. Isso incomodava no começo, eu tinha que repetir a receita que não estava boa o suficiente”, diz.

Ela afirma, ainda, que até tenta, mas não escapa muito dos doces mais tradicionais. “Sou muito clássica, estilo tradicional. Estudei sabores exóticos durante muito tempo, mas aqui não tem tanta procura. Você at[e pode fazer um cupcake de cappuccino com cobertura de cream cheese, mas as pessoas sempre pedem brigadeiro, chocolate. O macaron, o pessoal gosta de limão siciliano, framboesa, água de rosas, frutas vermelhas... O bem casado me pedem com goiaba, chocolate, mas como sou clássica, para mim a harmonia do bem casado é perfeita, a massa de pão de ló com recheio de doce de leite e calda de açúcar com baunilha”, diz.

A sócia Vânia diz estar aprendendo bastante com Natália. “Está sendo muito legal, cada dia uma novidade, uma descoberta. O financeiro está sendo uma consequência (...). É a vontade de ganhar de dinheiro com uma coisa que nos dá prazer”, avalia.

Se depender de Natália, aliás, ainda há muitos doces a serem feitos pela frente. "Pretendo ampliar muito minha produção. Passar de 8 mil a 80 mil por mês, sempre preservando a qualidade e o trabalho artesanal. Ter uma equipe enorme, muitas pessoas se beneficiando com esse sonho que no começo era só meu. Pretendo dar mais aulas e passar o que me foi dado. Pretendo competir também, representar o Brasil daqui a alguns anos. Servir de exemplo, como alguns chefes confeiteiros servem para mim hoje."

Faturamento do comércio eletrônico no Brasil sobe 21% no 1º semestre

O comércio eletrônico no Brasil faturou R$ 10,2 bilhões no primeiro semestre de 2012, um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados R$ 8,4 bilhões em vendas, revelou a 26ª edição da pesquisa WebShoppers, divulgada nesta quarta-feira (22) pela consultoria e-bit, empresa especializada em informações do setor.

Conforme a pesquisa, feita em 8 mil lojas virtuais, 5,6 milhões de pessoas fizeram a sua primeira compra on-line no primeiro semestre deste ano. Com isso, o Brasil já tem 37,6 milhões consumidores de comércio eletrônico, segundo a e-bit.

No período analisado, cerca de 29,6 milhões de encomendas foram feitas nas lojas virtuais brasileiras, com um tíquete médio de R$ 346. No primeiro semestre de 2011, foram registrados 25 milhões de pedidos. O Dia dos Namorados e o Dia das Mães contribuíram com R$ 1,7 bilhão, ou 16,6%, do total faturado no primeiro semestre, segundo a e-bit.

Previsão
Para o segundo semestre de 2012, a consultoria espera que o setor cresça 20% em relação ao mesmo período do ano passado, faturando mais R$ 12,2 bilhões no período. Com isso, o comércio eletrônico fecharia o ano com um faturamento total de R$ 22,5 bilhões, um crescimento de 20% em relação a 2011.

O mercado de compras coletivas totalizou mais de 12 milhões de cupons vendidos a um ticket médio de R$ 60 no primeiro semestre. Foram 83.233 ofertas anunciadas, cujos descontos geraram uma economia de R$ 1,4 bilhão para os brasileiros, conforme a pesquisa.

Em junho, 1,3% das compras on-line foram realizadas por meio de aparelhos móveis, como smartphones e tablets. No mesmo período de 2011, esse número era de 0,3%. A maioria dos consumidores on-line que usaram esses dispositivos são mulheres, com participação de 53%.

Amazon.com
A pesquisa da e-bit revelou que, enquanto o tíquete médio de compras feitas fora do país é de R$ 158, na Amazon, a gigante varejista dos EUA, é de R$ 172. O valor é ainda inferior à concorrente BestBuy, que registrou um tíquete médio de R$ 212 dos brasileiros.

Conforme o estudo, 26% dos clientes que já compraram na Amazon já ouviram falar que a empresa americana terá uma loja no Brasil em breve. Somente 4% informaram que não comprariam na Amazon do Brasil, enquanto 48% compraria um produto na gigante americana.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Casal cria empresa de entrega de 'caixa surpresa' de produtos eróticos


Casados há seis anos, o técnico de laboratório Alan Cleber Borim e a analista de projetos Vera Meloni, ambos com 32, seguiram à risca uma das principais dicas sobre empreendedorismo dadas por especialistas e decidiram investir naquilo que dá prazer. No caso deles, a área escolhida foi, mais especificamente, a de produtos eróticos. O casal lançou, em abril, um serviço pela internet que envia, pelo correio, uma caixa 'surpresa' com artigos de sex shop, o PepperBox.
Os kits seguem o conceito já difundido no ramo de cosméticos e produtos de beleza, no qual empresas enviam mensalmente aos consumidores que adquirem o serviço amostras de novidades em uma caixinha pelo correio. Dessa forma, a 'surpresa' do que vai vir na caixa é o que instiga a compra do pacote - diferentemente das compras convencionais pela internet, onde o cliente escolhe o que deseja receber.
Alan a Vera apostam no serviço de entrega de produtos eróticos pelo correio e visam atingir público que tem vergonha de ir na sexshop (Foto: Eliezer Sarmento dos Santos/Divulgação)Alan a Vera apostam no serviço de entrega de produtos eróticos pelo correio e visam atingir público que tem vergonha de ir à sexshop (Foto: Eliezer Sarmento dos Santos/Divulgação)
“Na nossa vida particular, a gente sempre teve essa ideia de comprar um brinquedinho novo, uma coisinha diferente. Então, a gente estava buscando uma maneira de ganhar dinheiro com isso”, diz Borim.
A ideia da caixa com os produtos 'surpresa' veio de Vera, em uma conversa descontraída do casal em novembro do ano passado. Isso porque ela já tinha comprado, há algum tempo, a caixa com os produtos de beleza. “A gente pensou no nome no mesmo dia em que teve a ideia e fomos para o computador pesquisar”, revela Vera.
De acordo com Alan, a divulgação do que vem em cada caixa só acontece no final do mês, após a entrega dos kits aos clientes. A intenção é variar bastante todo mês, sempre com algo novo ou diferente.O casal elaborou os moldes do negócio até chegar ao resultado final. São três tipos de caixas: a soft, para os mais comedidos ou iniciantes no mundo de produtos eróticos (com itens como óleos corporais, velas sensuais, preservativos diferentes, cápsulas beijáveis, géis, minivibradores, entre outros), a warm, de nível intermediário (géis que esquentam e esfriam, vibradores, algemas com veludo, máscaras) e a hot (com artigos como chicotes e algemas). Os preços são R$ 69, R$ 100 e R$ 140, respectivamente, para uma entrega única. Mas há pacotes com descontos para assinaturas trimestrais e semestrais. Cada caixinha tem de seis a oito itens.
“Não vamos mandar uma algema para quem está iniciando o uso desses produtos”, explica Alan. Os empresários também buscam enviar livros didáticos ou itens que auxiliem e estimulem o uso dos itens pelo cliente, de forma a fidelizar os compradores.
Caixinha tem de 6 a 8 produtos e é diferenciada por níveis: soft, worm e hot (Foto: Divulgação)
Caixinha tem de 6 a 8 produtos e é diferenciada
por níveis: soft, warm e hot (Foto: Divulgação)
Para receber a caixa, os consumidores precisam fazer um cadastro no próprio site (www.pepperbox.com.br). Inicialmente, os empresários optaram por terceirizar o sistema de pagamentos - dessa forma, para efetuar a compra, o usuário é redirecionado para uma outra página.

O público alvo é, segundo Borim, pessoas que sempre tiveram vontade de usar os artigos de sex shop, mas têm vergonha de ir comprar na loja, além daquelas que já gostam dos produtos e querem estar sempre interadas das novidades.

De forma a evitar constrangimentos, a embalagem que chega pelo correio não tem descrição imagem de produtos eróticos.

Quebrando 'tabus'
O casal criou também um blog com textos e informações para ‘desmistificar’ os artigos eróticos. Para os empreendedores, a ideia é justamente quebrar tabus a respeito do assunto. "Na verdade, eu só tenho um pouco de discrição no meu ambiente de trabalho, pois nem todos têm a cabeça aberta. No ciclo familiar, entre amigos, a gente divulga com orgulho o nosso negócio, estamos quebrando tabus", afirma Vera.

“A gente tem sempre que testar [os produtos] para ver se tudo que está escrito funciona"
Vera Meloni
Segundo os empresários, o foco é tanto para casais hétero como homossexuais. "Na hora do cadastro, o cliente aponta a opção sexual e nós vamos montar a caixinha de acordo com o que ele informou", explica. Apesar de acreditarem, inicialmente, que teriam muitos pedidos de homossexuais, o casal revela que a maioria das primeiras compras tem vindo de mulheres heterossexuais.
Para implantar o negócio, a empresária afirma que tirou muitos conhecimentos de um MBA de gestão empresarial que concluiu no ano passado. “Eu já sabia todos os passos, todo o projeto eu baseei pelo curso”, explica. Ela chegou até a esboçar os primeiros tópicos do plano de negócios - o que, afirma, deve concluir em breve.

Os primeiros pedidos já começaram a chegar. O casal, que vive na capital paulista, diz que já fez uma entrega para o interior de São Paulo e também já recebeu alguns pedidos para o Dia dos Namorados. Por enquanto, a entrega está sendo feita pelo Sedex.

Investimento
O investimento inicial no negócio até agora foi baixo: cerca de R$ 1,5 mil para ações como o desenvolvimento de logos, registro da empresa, compra dos primeiros produtos, adesivos e domínio na internet, por exemplo. O site foi elaborado por Borim mesmo, que trabalha na área de informática.

Por enquanto, a empresa começa pequena e ainda são poucos clientes. A expectativa é aumentar por conta do Dia dos Namorados. A principio, de acordo com Vera, as vendas estão sendo suficientes para cobrir os gastos com o envio e compra dos produtos. “Estamos levando como um plano B (...). Começou bem tímido, mas queremos que o plano B vire o plano A. Estamos buscando informações através de cursos, mais fornecedores”, explica. Por enquanto, ambos continuam trabalhando nos respectivos empregos.

E para garantir a qualidade da mercadoria, os empresários afirmam que buscam bons fornecedores – já participaram até de uma feira do setor credenciados como profissionais do ramo – e, claro, testam os produtos. “A gente tem sempre que testar para ver se tudo que está escrito funciona”, afirma Vera.

Receita identifica 'enxurrada' de importados de má qualidade

O assessor da Secretaria da Receita Federal, Ronaldo Medina, avaliou nesta terça-feira (29) que a crise financeira internacional está gerando acirramento da competição pelos mercados compradores, entre eles o Brasil, o que está resultando em uma "enxurrada" de produtos importados de má qualidade nas aduanas do país.

"Na área de bens de consumo, temos nos ressentido de práticas desleais de comércio com produtos inferiores aos padrões metodológicos do país. Temos uma enxurrada de produtos de má qualidade, que competem com o preço e informação enganosa. Vende-se gato por lebre", declarou ele durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

Por conta deste cenário, o volume de créditos tributários lançados por conta das irregularidades nas chamadas "zonas secundárias" (interior do país e não fronteiras) subiu para R$ 968 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 29% sobre o mesmo período do ano passado (R$ 749 milhões).

Operação 'Maré Vermelha'
Além disso, nos últimos 40 dias, com o início da operação "Maré Vermelha", voltada para irregularidades na importação de produtos, principalmente nos setores têxtil, calçados, brinquedos e eletrônicos, entre outros, foi registrado um crescimento de 658% no número de declarações de importação com indícios de fraude - para as quais se aplica a pena de "perdimento". "Considerando o valor declarado destas mercadorias, que chegam ao país com preços irrisórios, já se atinge o montante de 60 milhões", informou o Fisco. 

Atuação 'complexa'
Segundo o assessor, a atuação do Fisco, nas aduanas, contra as práticas desleais de comércio é "bastante complexa". "Exige inteligência. Buscando aprimorar atuação, governo criou um grupo de inteligência para analisar informações de comércio exterior e detectar práticas desleais junto com o Ministério do Desenvolvimento. Ele se reúne regularmente para avaliar denúncias", afirmou.

Medina acrescentou que também foi firmado um convênio entre a Receita Federal e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para montar uma "estrutura comum" de atuação contra essas irregularidades no campo metodológico. "Foi implantado no Rio de Janeiro, no mês passado, um centro de gestão de risco aduaneiro. Temos um verdadeiro centro pensante sobre questões de risco aduaneiro", acrescentou ele.

Medidas já adotadas pelo governo
Além destas medidas, o governo brasileiro também intensificou, nos últimos meses, a aprovação de medidas "antidumping", ou seja, que visam combater essa prática desleal de comércio que se caracteriza pela venda, em outros países, de produtos com preço abaixo do praticado no mercado de origem. Também tem subido a proibição de ingresso de produtos no Brasil por "circunvenção" (declaração falsa de origem, para tentar burlar medidas "antidumping").

O governo também tem atuado, nos últimos meses, para desonerar a folha de pagamentos de alguns setores, melhorando as condições de competitividade com outros países, além de conceder mais crédito, com juros menores para investimentos, e privilegiar produtos nacionais nas compras governamentais. No regime automotivo, há um aumento de 30 pontos percentuais para carros importados de fora do Mercosul e México - com o qual foi estabelecido cotas.

Outro fator que também beneficia a competitividade das empresas brasileiras é o aumento da taxa de câmbio, atualmente ao redor de R$ 2 por dólar. Com o dólar mais alto, fruto de medidas do governo e da queda dos juros básicos da economia registrada nos últimos meses, as exportações brasileiras ficam mais baratas e as compras do exterior mais caras.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Crédito para empresários vítimas da seca no NE

O Conselho Monetário Nacional aprovou a resolução 4.075, publicada no "Diário Oficial da União" desta terça-feira (8), que institui uma linha especial de crédito para empreendedores afetados pela seca ou estiagem na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a ser operacionalizada com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

O objetivo da medida é "promover a recuperação ou preservação das atividades de empreendedores afetados pela seca ou estiagem" no Nordeste, em municípios com decretação de situação de emergência ou de estado de calamidade pública pela seca ou estiagem, reconhecida pelo Ministério da Integração Nacional a partir de 1º de dezembro de 2011.

A linha de crédito, de capital de giro associada a investimentos, é destinada a empreendedores individuais, empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços, cooperativas de produção, associações e agroindústrias. Cada empresário poderá buscar até R$ 100 mil até 31 de dezembro deste ano, com taxa de juros de 3,5% ao ano. O prazo de pagamento é de até cinco anos, tendo um ano de carência.

Produtores rurais
O CMN também aprovou uma linha de crédito, por meio da resolução 4.076, para produtores rurais do Nordeste, também com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em municípios com decretação de situação de emergência ou de estado de calamidade pública pelos citados eventos climáticos .

O objetivo é assegurar investimentos que possam, preferencialmente, contribuir para "convivência sustentável" dos produtores no período de seca ou estiagem.

O limite de financiamento também será de até R$ 100 mil por produtor, com taxa de juros de 3,5% ao ano, com prazo de pagamento de até oito anos, sendo três anos de carência. Os recursos poderão ser buscados até 30 de dezembro deste ano.

"Fica vedada a contratação da linha de crédito de que trata esta resolução por agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), bem como a contratação de financiamento para aquisição de animais isoladamente", informou o CMN.

Agricultores familiares
Também será disponibilizada uma linha de crédito para agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) afetados pela seca ou estiagem no Nordeste, também com recursos do FNE. A linha foi regulamentada por meio da resolução 4.077 do Conselho Monetário Nacional.

Neste caso, o objetivo é promover investimentos em projetos de convivência com a estiagem ou seca, focado na sustentabilidade dos agroecossistemas, priorizando projetos de infraestrutura hídrica e implantação, ampliação, recuperação ou modernização das demais infraestruturas, inclusive aquelas relacionadas com projetos de produção e serviços agropecuários e não agropecuários, de acordo com a realidade da unidade familiar.

O limite de crédito por produtor será de R$ 2,5 mil até R$ 12 mil, com juros de 1% ao ano e prazo de pagamento de até 10 anos, sendo três anos de carência. A contratação poderá ser feita até 30 de dezembro deste ano. Haverá um bônus de adimplência de 40% sobre cada parcela paga até a data do vencimento. Entretanto, a instituição financeira terá de ser remunerada, o que pode variar de 2% a 6% ao ano.