quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pequenos detalhes, grandes negócios



Montar um negócio por conta própria é algo relativamente simples. Você precisa apenas de um produto ou serviço bem definido, um local que, dependendo do caso, pode ser a sua própria casa, talvez um sócio e licença para operar. De início, não dá para pensar muito, caso contrário, a empresa não sai do papel.
Na medida em que o empreendimento ganha consistência, é claro, será necessário capital de giro, treinamento intenso, um bom acordo com as operadoras de cartão de crédito e, principalmente, reforço na propaganda que começa com o método boca-a-boca. É o melhor e o mais eficiente, porém, depende da qualidade do seu produto ou serviço.
Para quem dispõe de tempo e dinheiro, o ideal é fazer um plano de negócio ou, no mínimo, desenhar o modelo de negócio para definir as questões básicas: 1) em que negócio você está? O que você realmente vende? Qual é o seu público-alvo? Qual é o seu diferencial competitivo? Assim, você terá, pelo menos, um direcionamento para suas ações.
Ainda que você tenha apenas ouvido falar de todas aquelas coisas interessantes da administração, algo do tipo planejamento estratégico, análise de tendências, BSC, matriz de portfolio, marketing de guerra e coisa e tal, de início, não é fácil aplicar todos esses conceitos.
Na prática, quando se inicia algo, nunca há recursos suficientes – tecnológicos, humanos, financeiros - para fazer tudo o que se tem mente, a menos que alguém seja suportado por ajuda familiar, sócios capitalistas, fundos de investimento, herança ou empréstimos a fundo perdido. Uma minoria.
Se não for este o seu caso, é necessário recorrer aos detalhes. O simples fato de ter dinheiro e tomar medidas baseadas em ferramentas consagradas não torna uma empresa bem-sucedida.  Nunca se chega ao alinhamento ou ao sucesso definitivo. É necessário trabalhar o tempo todo para isso e não perder o objetivo de vista.
Com base nos ensinamentos de James Collins e Jerry Porras, autores do clássico Feitas para Durar, e na minha experiência com empresas de pequeno, médio e grande porte, aqui estão algumas diretrizes simples para fomentar o seu negócio:
Monte o quadro completo: o que significa isso? O fato de você admirar a Apple, a Kopenhagen, O Boticário, a Honda e tantas outras empresas deve servir apenas de estímulo, pois, elas também têm suas falhas. Alguém se importa?
Nesse caso, o que conta é o conjunto, ou seja, a abrangência e a consistência da mensagem no tempo. Lembre-se de que o segredo de uma obra de arte está nos detalhes. Questão fundamental: como você gostaria de ver a sua empresa daqui a dez, quinze ou vinte anos?
Dica: vá por partes, não tente ser tudo para todos, pense na mensagem principal do seu negócio. A Quinta Sinfonia de Beethoven é um quadro de sons, imagens, ideias, sentimentos e movimentos, construída, detalhe por detalhe.
Explore ao máximo as pequenas coisas: se você não consegue dar um carro para cada empregado como prêmio pelo seu bom desempenho anual, faça como Francis Maris Cruz, do Grupo Cometa, que estimula a leitura de um livro por mês mediante uma recompensa. Nesse caso, o funcionário ganha um 14º salário, se comprovado que leu um livro por mês durante o ano, é mole?
Se isso ainda não for possível, que tal providenciar um cartão de visita para cada funcionário da empresa. Imagine isso: Maria Carolina – Zeladora. Se isso também não for possível, o que acha de convidar os familiares de seus funcionários para conhecer a empresa no fim de semana e conceder a eles uma pequena palestra sobre o seu negócio?
Junte as peças: se você tem boa vontade, mas, não tem o conhecimento integral do negócio, convide alguém que possa complementar sua habilidade. Silvio Torres e Hugo Ito, da Link Monitoramento, foram felizes nesse sentido. Silvio entende como ninguém de monitoramento e Hugo, de tecnologia. Eles formaram a primeira empresa franqueadora de monitoramento de veículos no Brasil, sucesso absoluto. Não tenho a menor dúvida de que vão produzir muita riqueza e criar milhares de empregos.
Por que sofrer sozinho se você pode ser feliz combinando habilidades com pessoas tão capazes e sonhadoras quanto você? Mas, é necessário saber compartilhar e isso também é uma habilidade. Steve Jobs não seria nada sem Steve Wozniak. Um era complemento do outro.
Nade na sua própria corrente: o que é bom para O Boticário pode não ser bom para a Natura e vice versa; da mesma forma, o que é bom para a Apple pode ser péssimo para a Samsung, portanto, a pergunta correta deve ser essa: o que é bom para a Apple, a Samsung, a Natura e O Boticário é bom para o meu negócio?
Pés no chão, cabeça nas estrelas. Não ignore a realidade, mas, tenha cuidado e discernimento para saber até que ponto o que serviu para o sucesso de outras empresas servirá também para o sucesso da sua empresa. Em vez de perguntar “essa prática é boa”, pergunte “essa prática é adequada para o meu negócio” ou “essa prática está de acordo com os meus valores”?
Realinhe as pessoas: o negócio é seu, foi você quem criou, sofreu, suou, penou para dar inicio ao sonho, portanto, você dá o tom. O alinhamento das pessoas em relação àquilo que você deseja para o negócio é um exercício permanente de identificação e correção de desvios que depõem contra a imagem da empresa.
Se o atendimento não está bom, fale, treine, corrija, substitua, peça pelo amor de Deus. Se o leiaute do prédio está impedindo o crescimento, mude-o ou mude-se. Se a estratégia não está funcionando, dissemine mais, esclareça os pontos críticos de sucesso, tente uma nova. Como dizem os autores de Feitas para Durar, a única vaca sagrada para uma empresa visionária é a sua ideologia central. Tudo o mais pode ser mudado ou eliminado.
Os princípios são universais, os métodos não: como eu sempre digo, os princípios universais da gestão não mudam, entretanto, os métodos podem ser ajustados de acordo com o tamanho e a cultura da empresa. Coisas básicas como fluxo de caixa, orçamento, marketing, propaganda, treinamento etc. continuam obrigatórias e não se fala mais nisso.
Não importa se você é empresário, gerente, diretor-executivo, consultor ou apenas membro do conselho. Não importa se você é iniciante numa startup. Trabalhe para implementar o máximo de métodos que puder para preservar a ideologia central do seu negócio, quer seja, a visão, a missão e os valores que orientam e inspiram as pessoas em todos os níveis hierárquicos da empresa.
Por fim, seja você mesmo o arquiteto do seu próprio negócio. Crie as ferramentas, preserve o núcleo e estimule o progresso, sempre. O alinhamento consistente em relação aos pequenos detalhes fará o resto. Não basta ter um bom produto ou um bom serviço. Em negócios, o que você ignora é, geralmente, a fonte do problema e, na maioria das vezes, a origem da solução.

7 passos para criar um bom plano de negócio



Qualquer guru de startups recomenda aos iniciantes a elaboração de um plano de negócio. Entretanto, são poucos os que disponibilizam ou ensinam como fazer um de maneira prática e simplificada.
Não se iluda! Não é tão simples assim. O plano de negócio envolve variáveis que vão além do conhecimento tradicional, tais como: contabilidade, marketing, plano operacional, finanças, cálculos e mais cálculos. Além do mais, é necessário gostar de escrever, pesquisar e ordenar as ideias. Em suma, é preciso pensar.
Por essas e outras razões, a maioria dos empreendedores desiste e parte para o ataque mesmo sem ter desenvolvido um, porém, o resultado é incerto. De acordo com as cruéis estatísticas do GEM (Global Entrepreneurship) e do Sebrae, poucos são os negócios que sobrevivem ao primeiro ano de funcionamento.
Assim sendo, aqui vão as primeiras dicas para quem deseja realmente desenvolver um bom plano de negócio. Na prática, não existe muito segredo. Em geral, você vai precisar de:
-  Muita disciplina: para começar, desenvolver e terminar o plano de negócio; isso leva mais ou menos seis meses, se você trabalhar em torno de meia hora a uma hora por dia, a menos que disponha de grana suficiente para contratar uma bom consultor para ajuda-lo.
-  Um bom escritório contábil: a menos que você seja um profissional com o conhecimento necessário, vai precisar de alguém para ajuda-lo a calcular as projeções financeiras que demonstram a viabilidade do negócio, tais como: payback (tempo de retorno do investimento), TIR (taxa interna de retorno) e VPL (valor presente líquido), entre outros.
Até aqui, muitos ficam com preguiça só de ler a primeira parte. Talvez seja melhor continuar empregado, dá menos trabalho. Pode ser, mas, não dá o mesmo prazer de quando você pensando no próprio negócio. É uma questão de escolha.
Muito bem! Se você deseja seguir em frente, imagino que sim, deixe-me simplificar um pouco a sua vida e desmistificar a ideia de que o plano de negócio é difícil. Não é fácil nem difícil, entretanto, é trabalhoso.
Digo isso por experiência própria, pois, já fiz algumas dezenas de planos de negócio e cada um é diferente de outro. Todo plano é um desafio à minha disciplina, ao meu senso de organização e à minha criatividade.
Aqui está um processo simplificado em sete passos que vai ajuda-lo a desenvolver o seu próprio plano de negócio. Avalie com carinho, procure adaptá-lo à realidade do seu negócio e seja disciplinado. São eles:
1.  Sumário Executivo: trata-se de uma síntese do plano de negócio completo contendo os principais pontos abordados em cada capítulo para despertar o interesse inicial do potencial investidor ou de quem lê; é o último item a ser elaborado.
2.  Defina as diretrizes estratégicas do negócio: qual é sua a visão? Qual é a sua missão? Quais são os valores principais para o seu negócio?
3.  Defina o modelo de negócio: qual é o seu plano? Em que negócio você está? O que você realmente vende? Qual é o seu público-alvo? Quais são as suas vantagens competitivas?
4.  Defina os objetivos estratégicos: volume de vendas para os próximos três a cinco anos, lucratividade esperada, taxa anual de crescimento, expansão do negócio, etc.
5.  Defina os objetivos táticos: em que atividades você precisa se empenhar para atingir seus objetivos estratégicos? Produtos e serviços, plano de marketing e vendas, fontes de financiamento, equipes de trabalho, etc.
6.  Defina as principais políticas: de produtos, de clientes, de promoção, de distribuição, de preços, de financiamentos, de investimentos, de produção.
7.  Indicadores financeiros: qualquer agente financeiro, quando se consegue um, quer saber se vale a pena colocar dinheiro no seu empreendimento; portanto, quanto mais consistentes forem os dados, maior a chance de conseguir uma boa alma para financiar o seu negócio.
Fácil? Claro que não. O que foi escrito aqui não representa um milésimo do esforço necessário para desenvolvê-lo e coloca-lo em prática. Em startups, é fundamental ter em mente o seguinte: ruim com o plano de negócio, pior sem ele.
A HTG Contabilidade possui recursos para tornar esse processo simplificado a custo baixíssimo. Espero que isso o ajude a despertar o empreendedor que existe dentro de cada um de vocês. Nascemos todos empreendedores, mas, são poucos os que acreditam nessa possibilidade. Se for esse o seu caso, o plano de negócio será o grande aliado para o seu sucesso.

Como impulsionar a venda de banners e espaços publicitários na internet?


Com a facilidade que a internet proporciona, abrir um blog ou ter um site nunca foi tão fácil. Através dessas plataformas, muitas pessoas buscam conseguir algum lucro. Uma forma muito comum para isso é através de banners e espaços publicitários espalhados no próprio site. 
Hoje, inclusive, existem diversas formas para conseguir isso. Seja através de programas de afiliados, Google Adsense, entre outros ferramentas disponíveis na internet. Um dos grandes desafios para blogueiros e pessoas que administram sites que estão começando, no entanto, é a venda desses banners para outras empresas ou agências de publicidade.
O portal Administradores.com entrevistou Carlos Cruz, diretor do IBVendas e especialista no tema, que revelou algumas dicas de como esses profissionais podem impulsionar a venda de banners em seus sites. Confira abaixo:
Para as pessoas que tem blogs ou sites na internet com espaço de banner/publicidade, qual deve ser o primeiro passo para atrair anunciantes?
O ideal é conhecer profundamente o perfil das pessoas que acessam o site, para que a publicidade veiculada atenda às necessidades e interesses daquele nicho específico de leitores. Caso contrário, a pessoa corre o risco de oferecer produtos ou serviços que não são interessantes para o visitante, o que acaba anulando a iniciativa.
Fazer ligações ou agendar visitas aos anunciantes em potencial no primeiro contato é importante ou tudo deve ser feito por e-mail?
O contato presencial é sempre mais efetivo, afinal email e telefone são sempre mais impessoais, você não consegue se expressar da forma que gostaria e ainda pode ser mal interpretado. Algumas vezes, o primeiro contato precisa por telefone ou email, por diversos motivos, por exemplo, incompatibilidade de agendas, mas o ideal é utilizar este momento para se apresentar, falar sobre a proposta e, posteriormente, marcar uma reunião, para garantir um relacionamento bem-sucedido. Porém, no mundo web nem sempre isso é possível. Portanto, vale a pena utilizar meios como Skype, Webex e outras plataformas para reuniões on-line.
Após o primeiro contato estabelecido e o não retorno do anunciante-alvo, o vendedor deve entrar em contato novamente com o "cliente" para saber o que ele achou da proposta inicial? Caso sim, existe uma média de tempo para entrar em contato? 
Com certeza! O vendedor deve entrar em contato com o cliente, para verificar se ele recebeu a proposta e saber se atende as necessidades mapeadas anteriormente. Pode ser que o cliente tenha dúvidas sobre o negócio, é importante sempre oferecer alternativas que atendam às suas necessidades. Não existe uma média de tempo para fazer este contato, isso é relativo, de acordo com o estilo do prospect e perspectiva de fechamento. Fique atento a sua personalidade e ao negócio de atuação, dessa forma será capaz de perceber se é uma pessoa mais aberta e disponível, do tipo que se pode ligar no dia seguinte, ou se é um empresário superocupado e formal, que só poderá falar com você daqui uma semana.
Muitas empresas digitais preparam um media kit com informações para apresentar aos possíveis anunciantes. Mas que informações não podem faltar nesse media kit?
As informações mais importantes para um anunciante são: Page views diários e mensais, tempo de permanência do leitor no site, perfil completo dos visitantes (gênero, idade, escolaridade, classe social, etc), anunciantes atuais e tabela de preços de acordo com espaço contratado. Estes são tópicos básicos, não podem faltar em nenhum media kit, mas claro que existem outros que podem ser incorporados, de acordo com o interesse dos clientes ou do site. Contar casos de sucesso podem aumenta a credibilidade e segurança do cliente na tomada de decisão.
Com a primeira venda de banners/publicidade para o anunciante realizada, qual seria a melhor forma manter esse contato com anunciante por mais tempo para tentar manter a venda?
Manter um bom relacionamento é primordial. Conhecendo bem o seu cliente é possível identificar exatamente qual o tipo de produto/serviço será oferecido, quais seus desejos e objetivos, se está insatisfeito e, até mesmo, se ele está pensando em adquirir novos serviços. Além disso, é importante ressaltar que o cliente satisfeito com um atendimento, cria uma imagem positiva da empresa e do processo de compra. Isso faz com que o procure sempre que necessário. Cliente bem atendido faz boas recomendações, que por sua vez, resultam em novos compradores.
Quais dicas complementares você daria para quem possui blogs e sites e quer vender na internet?
Na internet, você não consegue ter um contato direto com o cliente, seja cuidadoso com as palavras, para evitar problemas de interpretação, mal entendidos podem gerar um buzz negativo para seu negócio. E como no relacionamento “olho no olho” com o cliente, para o comprador on-line, a experiência e o bom atendimento são os detalhes que fazem a diferença. As pessoas imaginam que as dicas de vendas devem ser diferentes para os profissionais que atuam on-line e pessoalmente, se enganam. Conhecer bem o perfil do cliente e o produto/serviço que se vende continua sendo essencial para todos os segmentos. Aliado a isso, o vendedor deve oferecer um bom atendimento não só durante o processo de compra, mas também após a venda. Dessa forma, o vendedor será capaz de conquistar o comprador, firmando um relacionamento e obtendo frutos como indicações e consequentemente, mais vendas.

Como convencer seu chefe a se tornar seu sócio?


Passar três ou quatro anos em uma mesma empresa é algo quase impensável para boa parte dos jovens profissionais de hoje, ávidos por novos desafios a todo instante. Dedicar toda a vida a uma única companhia, então, é um absurdo sem tamanho, na cabeça de muita gente. Entretanto, para Laércio Cosentino, presidente da Totvs - gigante brasileira de Tecnologias da Informação que acaba de chegar ao Vale do Silício - nada foi tão importante, do ponto de vista profissional, quanto nunca ter mudado de emprego.
Estagiário da Siga (empresa embrião que deu origem à Totvs) em 1979, mesmo ano em que entrou na faculdade, galgou cargos ano a ano até conseguir convencer o próprio chefe a se tornar seu sócio. Juntos, fundaram uma nova empresa nos anos 1980, de olho em algo que naquela época era apenas uma novidade com futuro ainda um tanto obscuro: a microinformática (até então a companhia era dedicada a grandes computadores). O negócio deu certo e, entre 1989 e 1999, já havia se espalhado pelo Brasil. Nos anos seguintes, Laércio deu início à consolidação da empresa e iniciou o processo de expansão no exterior. Depois de dominar o país, agora o objetivo é conquistar o mundo.
E, mesmo com toda a dedicação à Totvs, o executivo encontrou ainda tempo para se dedicar a uma causa nobre: apoiar o surgimento e desenvolvimento de novas empresas. À frente da Endeavor no Brasil, ONG internacional que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo de alto impacto, Laércio tem se tornado uma referência para muita gente que quer empreender. À revista Administradores, ele contou um pouco de sua experiência, relembrou sua trajetória e apontou o caminho das pedras para quem quer seguir sua trilha.
Você entrou na Siga, no final dos anos 1970, como estagiário. Nos anos 1980, convenceu seu então chefe a se tornar seu sócio, fundando uma nova empresa, a Microsiga, que mais tarde se tornou a Totvs, da qual você é hoje o presidente. Como foi esse processo, de passar de estagiário a presidente, acompanhando o crescimento da companhia?

Foi uma carreira bastante rápida, meteórica. Eu comecei a trabalhar como estagiário já quando eu entrei na faculdade. Logo em seguida, fui promovido a programador. Depois de um ano, fui promovido a analista de sistemas. Daí, então, eu propus para o meu antigo patrão que ele precisava ter uma estrutura hierárquica dentro da companhia dele, ter mais gestores, ter diretores para que ela pudesse crescer. E aí ele criou os cargos e eu me tornei diretor. Depois, com o aparecimento da microinformática, eu propus que, já que a estrutura da empresa estava formada, a gente investisse naquela recém-chegada tecnologia. Sugeri que deveríamos pegar toda a experiência que nós tínhamos com computadores de grande porte e colocar nos PCs. E aí surgiu a ideia de criar a Microsiga, e com isso eu me tornei sócio do meu antigo patrão, em um esquema de 50% e 50%. E, com um acordo de cavalheiros, no fio do bigode, dissemos que se um dia a Microsiga fosse um dia muito bem sucedida, tudo aquilo da Siga e tudo aquilo que eu tinha em termos de consultoria, de outras atividades que eu tinha também, nós juntaríamos dentro da Microsiga. E aí em 1989 éramos já uma só empresa.

Você sempre foi um executivo que colocou a mão na massa. Fazia de tudo, programava, atendia. Como isso ajudou no desenvolvimento da organização?

Eu acho que esse é um ponto fundamental. Quando você conhece a operação da empresa que você comanda, você pode ter um processo de comando mais facilitado. Isso foi profissionalmente bastante interessante para mim. Saber como se programa, como se faz análise, como se faz gestão, o que está por trás de cada comando fez diferença.
Isso ajuda a passar os valores da empresa para a equipe?
Antes de você passar os valores, você precisa definir quais são esses valores. E quando você fala de valores, são coisas que você traz de berço, que você traz de sua vida pessoal e de alguma maneira compartilha com a empresa, ou não. Se você não compartilha, é um sinal de que você pode estar no lugar errado. Mas o que ajuda é na disseminação desses valores, quando você conhece toda a operação.

Uma curiosidade: é verdade que você fez um espaço gastronômico na empresa e costuma cozinhar por lá?

Nós temos aqui um espaço gourmet, sim. Eu tenho pouco tempo pra estar cozinhando hoje em dia, mas é um espaço em que a gente cozinha para os nossos clientes e algumas vezes os nossos clientes cozinham para nós. É um espaço de relacionamento que hoje é comum em muitas empresas, mas nós montamos em 2001 e naquela época nós fomos pioneiros. Para nós, o relacionamento é fundamental. Eu costumo dizer que quando todo mundo tem as mesmas tecnologias, são as pessoas que fazem a diferença. Relacionamento é isso.
Agora falando um pouco mais do mercado, temos acompanhado um processo de crescimento das empresas de TI brasileiras, acompanhando o dinamismo da economia do país, que já desponta entre as mais importantes do mundo. Qual o papel das empresas de TI na consolidação da economia brasileira no plano internacional?
Eu acho que a consolidação das empresas de TI é importante para cada vez mais fortalecer os sistemas que vão viabilizar o desenvolvimento do mercado como um todo. Quando uma empresa quer ser competitiva, ela tem que ter TI em sua estratégia.
A Totvs passou por vários processos de fusão e aquisição. Como foram essas transições?

Toda vez que você faz um processo de consolidação, você tem um passo anterior que a gente sempre trabalhou muito aqui na Totvs. Que é você deixar bem claro qual é sua missão, visão, valores, qual o DNA da companhia. Se você faz um processo de fusão, você une duas culturas e não tem bem claro qual a cultura resultante disso. Pode ser que no meio do caminho você tenha alguns problemas.
Então foi isso que nós trabalhamos muito em todos os processos de consolidação. Em 2005, nós compramos a Logocenter. Só que em 2000 nós trabalhamos muito fortemente qual que era nossa missão, nossa visão, nossos valores, o que fazia diferença para a empresa. Nós preparamos a companhia para dar esse passo e isso foi fundamental.
Para a Totvs, qual é a importância de ter chegado ao Vale do Silício? Esse é um passo importante para uma empresa de tecnologia que pretende se tornar global.
Nós estamos vivendo agora a quinta fase da Totvs. A primeira foi a fundação da companhia. A segunda foi o entendimento do que seriam as software houses globais e nos prepararmos para ser uma delas. A terceira foi a definição da visão e valores. A quarta foi a de consolidar mercado. E a quinta fase começou neste ano, que é tornar a empresa uma referência global. Fazer isso não é você estar presente em todos os países. Mas, sim, estar pronta para atender toda companhia internacional que quiser vir capturar o crescimento do Brasil.
É fazer com que, quando uma empresa chegar ao Brasil, saber que a Totvs é a melhor parceria, que é asoftware house que mais entende do país, que entende de carga tributária, que sabe fazer negócios. Então a gente entende que tem que ser conhecida lá fora para quando chegarem falarem assim: "está aqui a empresa que você precisa". O segundo ponto é que tem várias empresas brasileiras saindo do Brasil, são clientes da Totvs e nós temos que ir junto. Outra questão é que nós precisamos desenvolver produtos mais globais, que não dependessem de tantas localizações, de coisas específicas para cada país. E, aliado a isso, nós somos uma empresa de capital aberto, onde quase 80% da companhia são formados por investidores estrangeiros. Esse é outro passo para essa consolidação no mercado global.
Como está sendo essa chegada ao Vale do Silício nesse primeiro momento e quais os planos que vocês têm para essa atuação nos EUA?

Nós começamos, inicialmente, conversando com universidades de lá, Stanford e San Jose. Depois, vamos começar a desenvolver um plano de negócios e, em seguida, começar a fase de contratação de pessoas. Agora nós estamos trabalhando especificamente na parte de identificação de pessoas, porque a gente entende que uma parte fundamental do desenvolvimento dos nossos sistemas é você identificar as pessoas para que você tenha segurança das informações. Estamos trabalhando fortemente na parte que é justamente o nosso carro-chefe, que são os sistemas de ERP, mas atrelados a CRM, redes sociais corporativas e outras coisas. Então, segurança é uma coisa muito importante. Por isso, pensamos em trabalhar, como início de operações em solo americano, essa parte de identificação.

Franquear a marca Totvs foi um dos grandes acertos da companhia no sentido de expandi-la no Brasil. Essa, entretanto, não é uma experiência muito comum entre companhias desenvolvedoras e, certamente, tem exigências bem mais peculiares com relação aos demais tipos de franquias. Como esse modelo deu certo para vocês?

Se a gente fosse fazer exatamente igual a todo mundo faz, a gente seria apenas mais uma empresa. Para ocuparmos o Brasil em uma velocidade mais rápida, que foi de 1989 a 1999, tínhamos que criar realmente o que nós chamamos de Tratado de Tordesilhas, para ocupar o Brasil antes que ocupassem em nosso nome. E aí nós criamos um modelo que até hoje é um grande diferencial. Por exemplo, a gente dá exclusividade em cada território em um esquema de mão dupla, em que a nossa franquia é exclusivamente nossa e nós fornecemos exclusivamente para a nossa franquia. Esse foi, é e ainda será um diferencial por muito tempo, mais um fruto de uma ideia em que nós aproveitamos o empreendedorismo de diferentes pessoas em regiões distintas da própria Totvs.

Esse modelo de franquia deverá ser o caminho para a internacionalização também?
Sim. A gente tem franquia no Paraguai, no Chile. Hoje em dia o esquema de franquia já é uma realidade fora do país.
Quais os grandes desafios de administrar uma companhia que assumiu tamanha importância?
O desafio de administrar uma companhia como a Totvs hoje é o mesmo de administrar qualquer empresa que quer crescer e se perpetuar. Hoje a competitividade é cada vez mais forte, você não tem mais só concorrentes locais. Há alguns anos você tinha concorrentes em sua cidade, seu estado. Agora, com a internet, o concorrente está no outro lado do mundo. O desafio é continuar gerando oportunidades, para que a gente sempre tenha o melhor time, os melhores clientes e o melhor canal de distribuição. Para manter todo um ecossistema adequado, você precisa gerar essas oportunidades.
Além de comandar a Totvs, você está à frente da Endeavor no Brasil, ONG que tem um trabalho muito bonito e importante. Qual a importância de grandes empresas apoiarem o empreendedorismo e o nascimento de novos negócios?
Eu acho que é fundamental toda empresa bem sucedida apoiar empresas novas, empreendedoras, porque a economia tem que se manter viva. Uma economia bem sucedida é uma economia que todo dia tem entrantes, pessoas fazendo acontecer, novas ideias, muita inovação. E acho que tem um número muito grande de empreendedores, que estão em grandes empresas, e também pensam como eu. Para cada grande empresa hoje continuar crescendo ela precisa de um mercado crescente. E esse mercado cresce através dessas novas ideias.
Quando passou a direção da Endeavor para você, Carlos Alberto Sicupira disse que sua missão seria fechar a Endeavor. A declaração inusitada tinha uma justificativa: você deveria expandir a atuação da ONG de modo que o empreendedorismo no Brasil se desenvolvesse a tal ponto que uma organização dedicada a fomentá-lo passasse a ser desnecessária. Hoje, levantamentos nacionais e internacionais apontam o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo. Entretanto, o nível de mortalidade das empresas no Brasil ainda é muito alto. Quais são os grandes desafios da Endeavor no sentido de fomentar um empreendedorismo sustentável no Brasil?
Quando o Beto (Carlos Alberto Sicupira) falou em a gente fechar, foi algo bem figurativo e que diz justamente isso: a Endeavor vai crescer tanto que não vai mais precisar existir. Hoje ela apoia muito as empresas de alto impacto, ao mesmo tempo em que, através do treinamento, dos eventos, da divulgação do empreendedorismo, faz com que mais pessoas consigam empreender. Esse índice de mortalidade é mesmo alto, mas com boas ações nós vamos conseguir reduzir isso.
Para finalizar, como presidente da Endeavor, qual o recado que você deixa para os nossos leitores que querem empreender?

Empreendedorismo é interpretar o mundo e querer mais. Essa é uma frase que eu uso muito. Então o que eu digo para quem está começando é que se informe, se posicione sobre o mundo e queira um pouco mais que os outros, que aí você vai desenvolver boas ideias. Com as ideias, coloque muita inspiração e transpiração para fazer acontecer. É fundamental, no momento em que descobrir uma oportunidade, não medir esforços para colocá-la em prática.

Investimentos: saiba como diversificar de acordo com o seu perfil


Nos últimos dias, os investidores têm reagido aos movimentos de queda nos fundos de inflação e nos fundos que possuem boa parte do resultado atribuído a essa estratégia. Apesar da rentabilidade excepcional de 2012, continuamos repetindo o alerta de que não devemos alimentar ilusões de ganhos fáceis e acelerados em 2013.
Apesar de classificados formalmente como renda fixa, os fundos de inflação representam um posicionamento que consideramos macroeconômico. Entretanto, ao contrário dos fundos macro, os fundos de inflação são passivos, ou seja, são obrigados a manter posições em títulos de inflação. Não existe um gestor responsável pela análise macroeconômica, tomando decisões de quando investir ou desinvestir. Essa decisão fica nas mãos do investidor.
Os fundos de inflação ganharam a atenção dos investidores nos últimos tempos e passaram a representar uma parte exageradamente grande da carteira de algumas pessoas. Entendemos que esses fundos podem fazer parte de uma estratégia de investimento, mas precisam estar inseridos numa carteira diversificada de maneira inteligente.
O investidor frequentemente se depara com uma infinidade de nomes de estratégias, tais como Long and Short Neutro, Multimercados Macro, Ações IBrX Ativo, Renda Fixa Crédito Livre. As diversas classificações de investimentos são úteis para os gestores conversarem entre si, mas acabam sendo praticamente inúteis para o investidor. 
Quando você pensa em construir sua carteira de investimentos, deve procurar contemplar as quatro modalidades abaixo para criar uma diversificação de estratégias. É claro que o percentual a ser alocado em cada modalidade deve variar para que a carteira final seja mais conservadora ou mais agressiva, de acordo com o seu perfil.
Renda fixa - é onde devemos deixar recursos quando buscamos estabilidade e segurança. Os investidores mais conservadores terão a maior parte de seu patrimônio alocado nessa categoria. Ao escolher seus investimentos de renda fixa, priorize estabilidade, segurança, liquidez e taxas reduzidas. E tome cuidado: não é na renda fixa que você deve buscar maiores rentabilidades e aceitar risco, pois essa é a sua reserva de segurança. O diferencial de rentabilidade deve ser obtido nas modalidades abaixo.
Valor relativo - é o tipo de investimento que procura agregar valor através de operações antagônicas, explorando a diferença de desempenho entre dois ativos. Nessa estratégia, os gestores procuram limitar as perdas, utilizando operações inversas. Da mesma forma, os ganhos também ficam limitados. Esses fundos podem operar na bolsa de valores, por exemplo, sem apresentar correlação com ela. Assim, podem proporcionar um bom desempenho quando a bolsa cai ou um mal desempenho quando sobe. Em geral, os fundos de valor relativo apresentam um baixo risco, apesar de serem mais agressivos que a renda fixa tradicional. São exemplos dessa modalidade os fundos de Long/Short e os fundos de arbitragem.
Fundos macro - podem investir em diversos mercados, como inflação, juros, câmbio, bolsa, commodities e outros. Por meio de análises da situação macroeconômica, os gestores montam posições que pretendem ganhar com os fluxos de recursos entre os diversos mercados. Esses fundos podem ser posicionados para ganhar tanto com a alta, quanto com a baixa dos mercados em que operam. O ganho depende do acerto das previsões do gestor. Devido a essa característica, os fundos macro tendem a ser mais voláteis que os fundos de valor relativo, mesmo que não sejam necessariamente mais arriscados.
Fundos de ações - os gestores desses fundos procuram agregar valor negociando ações na bolsa de valores. Entre os investimentos mais comuns, esse é o tipo que costuma sofrer as maiores oscilações e, portanto, é considerado o mais arriscado. Esse risco pode ser mitigado quando trabalhado no longo prazo ou analisado sob a ótica de aceitar oscilações e evitar perdas permanentes de capital. Ainda assim, a volatilidade é temida pela maioria dos investidores. Os fundos de ações costumam apresentar alta correlação com a bolsa de valores, sendo praticamente inevitável acompanhar pelo menos parcialmente as quedas do mercado acionário. Da mesma forma, é bastante trivial para qualquer gestor obter ganhos expressivos em épocas de alta do mercado.
Uma quinta categoria que pode merecer atenção são os investimentos imobiliários. Aqui, contam imóveis adquiridos diretamente e também fundos imobiliários. Alguns fundos imobiliários possuem uma característica de renda fixa, pois os aluguéis são como os juros, pagos mensalmente. Entretanto, muitos fundos imobiliários adquiriram características de renda variável, pois passaram a ser negociados em bolsa de valores. Seu lastro são os imóveis, ativos reais cujo preço passa a ser determinado pela oferta e demanda dos investidores por cotas de fundos imobiliários, afetando a rentabilidade.
Apesar das tentativas, não é possível prever o comportamento de quaisquer fundos com base meramente nas suas classificações. Existem fundos de ações alavancados, com risco muito superior aos demais e sujeitos a perdas permanentes de capital. Há fundos macro com pouquíssimo risco, em muito se assemelhando à renda fixa, assim como fundos macro com altíssimo risco, mais agressivos que fundos de ações. E também existem fundos macro que utilizam estratégia de valor relativo, podendo se confundir uns com os outros em alguns casos.
Para conseguir encaixar os fundos nessas classificações, pode-se recorrer à análise das informações de ativos disponível no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mas uma real compreensão da estratégia depende de conhecer os gestores e conversar sobre o trabalho que ocorre nos bastidores de cada fundo. As classificações formais ajudam muito pouco.
É importante para o investidor que deseja estruturar sua carteira de maneira inteligente entender essas estratégias para poder balancear sua exposição entre elas. O percentual de alocação em cada estratégia depende de diversos fatores pessoais, como idade, objetivo pretendido para os recursos, prazo previsto para o investimento, grau de dependência do investidor em relação ao patrimônio investido, entre outros. Esses são tópicos que pretendemos abordar numa próxima oportunidade.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Como transformar o boca-a-boca em uma surpreendente ferramenta de marketing


Ele não é novo. Na verdade, o provável é que após a primeira venda da história da humanidade, ele tenha começado a ser utilizado. Estamos falando do boca-a-boca que, com advento da internet – principalmente das redes sociais –, ganhou um status de poderosa ferramenta de marketing.

E isso não é a toa. Já reparou quantas pessoas recorrem à opinião de outras quando estão na dúvida em adquirir um produto ou um serviço? Ou até mesmo como é comum alguém comentar que está satisfeito ou insatisfeito com algo que acabou de comprar? É claro que nessa lista de pessoas estou incluído e, sem medo algum de errar, você também está presente. Afinal, esse comportamento de compartilhar experiência, repartir incertezas faz parte do ser humano.

No entanto, como será que as empresas podem aproveitar esse boca-a-boca para alavancar um negócio? Em busca dessa resposta, o Administradores.com conversou com Andy Sernovitz, um dos principais especialistas na área. O consultor americano atua há mais de 20 anos no setor de marketing, é o autor do livro 'Marketing Boca a Boca' e faz palestras pelo mundo ajudando empresas a apreender como realizar da melhor forma essa estratégia.
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Confira a entrevista abaixo:

Sem nenhum custo ou com um investimento pequeno e um alcance sem limites. Com esse fato, podemos dizer que o boca a boca é uma das principais estratégias de marketing existentes nos dias atuais?

Uma palavra no marketing feito no boca a boca é uma estratégia poderosa que empresas de todos os portes utilizam. Você tem razão – você não precisa de um orçamento grande, um plano incrível e detalhado ou um investimento alto para começar. Apenas tente algumas coisas, veja como funciona, e então faça mais disto. Se você encontrar algo que está decolando e começando a ser comentado, é aí que você considera investir mais. Mas até lá apenas começe. Faça algumas experiências e se divirta.

Mas esse tipo de estratégia funciona para qualquer tipo de produto ou serviço ou existem alguns nichos mais fáceis para serem trabalhados?

O marketing do boca a boca funciona para qualquer empresa que venda qualquer produto. Mas, apenas se essas companhias forem fantásticas e o produto valha a pena ser comentado. Se o seu produto ou serviço for ruim, pessoas ainda falarão sobre ele, mas não dirão coisas positivas. Essa é a beleza do boca a boca: os bons profissionais e produtos vencem e os ruins perdem.

Por onde as empresas podem começar o marketing boca a boca?

Uma boa maneira de começar é adicionando umas palavras que estão no pensamento das pessoas ao marketing que você já está fazendo. Coloque todas as informações em um e-mail (ainda a forma mais popular de enviar um conteúdo). Ao invés de dar um cupom ou uma amostra grátis, dê 10. Envie um cartão de agradecimento escrito à mão aos melhores clientes. Ofereça um serviço ao consumidor fantástico. Nem tudo que você tentar funcionará e isso é natural. Se uma de suas ideias falhar, ninguém saberá porque ninguém falará sobre isso.
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O que as pessoas devem ficar atentas ao desenvolver esse tipo de estratégia? Existe algum tipo de "regra"?

Essa estratégia funciona melhor quando a companhia está pensando em como ganhar o respeito e a recomendação dos clientes. Talvez não exista um botão que você pode apertar e daí mudar sua empresa – então comece procurando por pessoas interessadas em começar. Pode ser um grupo pequeno no time de marketing, pode ser um executivo solitário ou uma franquia que deseja experimentar algo novo. Qualquer lugar para você começar é bom, apenas comece. Uma vez que todos tenham sentido o gosto do quanto bem-sucedido e divertido o marketing o boca a boca é, os outros embarcarão na iniciativa.

Você pode nos contar algum caso marcante (ou alguns casos) de marketing boca a boca que lembra no momento?

Existem muitos exemplos fantásticos por aí, mas se você está procurando por empresas para seguir, não existem exemplos melhores que Zappos e Southwest Airlines. A Zappos [Veja A entrevista do Administradores com o fundador da Zappos.com] vende sapatos online – que você poderia comprar em qualquer lugar (por preços menores), mas eles possuem um suporte ao cliente incrível. Eles oferecem frete grátis e permitem que você devolva o produto com até um ano de uso. E se eles não têm o sapato que o cliente está procurando, eles o direcionam a uma concorrente que tenha. Já a Southwest Airlines é outra favorita em uma indústria que todos amam odiar. Eles possuem um orçamento mais baixo, mas ganham milhares de fãs todos os dias sem gastar. Como? Eles contratam bons profissionais, os tratam com respeito e incentivam que eles tratem o cliente bem, em ações como cantar durante as instruções de segurança. Além disso, eles não exploram os consumidores com tarifas ridículas. São dois exemplos brilhantes de como se tornar notável é possível usando o cérebro e não a carteira.

E quando o boca a boca começa a ficar às avessas e as pessoas começam a falar mal sobre determinada utilidade de um serviço ou produto. Como reverter esse momento contrário?

O primeiro passo é respirar fundo e lembrar que comentários ruins acontecem com todos nós. Você não pode agradar a todos – é assim que acontece. O próximo passo é responder educadamente, se desculpar pelo transtorno e oferecer ajuda. Muitas vezes, isso muda completamente a conversa. O consumidor com raiva precisava desabafar e agora sentirá que você se importa. Quando você responde on-line, se lembre que sua resposta é pública e será vista por outros que chegarem depois – então você não estará apenas respondendo um cliente chateado, você estará respondendo a todos em uma plataforma pública. Seja gentil, ofereça ajuda, cumpra o que você prometeu e resolva os problemas. Você descobrirá que esses clientes com raiva poderão se tornar aliados e espalharão muitos comentários positivos.

Você acredita que a internet, principalmente, as redes sociais são fundamentais para alcançarmos a proporção desse tipo de marketing nos dias atuais?

Não há dúvidas de que as mídias sociais mudaram completamente a rapidez com que um comentário viaja. Mas os fundamentos do boca a boca vieram antes da internet – e eles ainda são verdade hoje. Seu trabalho, como sempre, é dar as pessoas razões para falar e facilitar essa conversa. Foque em se tornar notável e em fazer coisas que valham a pena serem comentadas, e você sempre será bom no boca a boca, não importa a tecnologia.

Os brasileiros adoram ficar conectados, seja na internet ou fora dela. Que mensagem você deixaria para nossas empresas e empreendedores para aproveitar essa interatividade do país e realizar bons negócios?

Comece escutando. Aprenda onde seus fãs e clientes passam tempo na internet, quais comunidades eles gostam e sobre o que estão falando. Então, se apresente, compartilhe conteúdos úteis e seja educado. Não venda, seja transparente e diga exatamente quem você é. Quase sempre, esses internautas estarão felizes em lhe ver, enquanto você seguir as regras e contribuir com coisas boas. 

Lições do Sun Tzu norte-americano para quem vive dias que não cabem em 24h


Olá caro leitor. Dessa vez quem nos escreve é o Leonardo Lima. O Leonardo, além de trabalhar na Câmara Municipal da cidade onde vive, faz pães e outros produtos caseiros para complementar sua renda. Pai de família, padeiro, funcionário público, Leonardo nos diz que é comum ir dormir às 22:00 para acordar às 3:00. Esgotado, não sabe mais o que fazer para lidar com a competição, o cansaço e as realidades do dia a dia. O que fazer?

Nosso amigo dessa semana mostra em seu e-mail um certo desespero comum a muitos profissionais da atualidade. Viagens, e-mails de fim de semana, uma enxurrada de informações, tecnologias e mercados que mudam rapidamente, entre outros fatores, deixam muita gente atordoada com seu dia a dia.

Essa situação me lembrou, entre tantas coisas, da arte - e ciência - das batalhas aéreas. Convenhamos: na lista de coisas estressantes do mundo, ter um avião de guerra apontando mísseis para você deve estar entre as primeiras da fila. O que me leva ao trabalho de um dos maiores estrategistas da história.
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O nome John Boyd não costuma levantar sobrancelhas como Sun Tzu, Maquiavel ou Alexandre o Grande, mas as contribuições desse coronel norte-americano à ciência da Estratégia são difíceis de subestimar.
Começando seus estudos com o desempenho de pilotos americanos na Guerra do Vietnã, Boyd observou que o que diferenciava os melhores dos piores pilotos era a capacidade de analisar uma situação, tomar decisões e executar suas ações mais rápido que seus oponentes. O modo de se portar dos pilotos influenciava a capacidade de alguém morrer ou voltar para casa após um combate.
Tudo isso foi resumido em uma simples palavra: OODA.
OODA significa Observar, Orientar, Decidir e Agir. Segundo nosso querido coronel, a habilidade de passar por esse ciclo diferencia a grandeza do fracasso. Um piloto deveria então OBSERVAR a situação em que se encontra. ORIENTAR é filtrar as informações relevantes para o momento, DECIDIR é optar por um curso de ação e AGIR é executar o curso planejado. Pilotos capazes de fazer isso rapidamente poderiam vencer entrando no ciclo de seus inimigos, por exemplo, agindo mais rapidamente e reorientando suas ações enquanto seus inimigos ainda estavam entendendo o que aconteceu e presos a uma ação passada.
Como o objetivo aqui não é dar uma aula de voo, basta dizer que essa ideia simples revolucionou a área de estratégia. O sucesso da primeira Guerra do Golfo (aquela em que o Iraque desocupou o Kwait e perdeu rapidamente) é atribuído em grande parte ao pensamento de Boyd.
Se você nunca ouviu falar nele, não se preocupe, muita gente fora da área militar também não. No entanto, se você fez qualquer curso de Administração, deve ter topado com ciclos como o "Planejar, organizar, dirigir e controlar" e outras variantes inspiradas pelo OODA.
Voltando ao caso do Leonardo e outros profissionais estressados, cansados, perdidos na rotina, espancados pela concorrência e sem saber o que fazer. Passo número um: pare. Tire um dia, uma hora, um momento, mas pare.
Parou? Ótimo. Agora observe a situação em que você se encontra. Você pode avaliar sua vida pessoal, profissional, sua empresa e até o conjunto da obra, mas apenas observe. Retire-se da situação e observe suas ações, as de outras pessoas e participantes do mercado e tente entender o que está acontecendo.
Agora, oriente-se. Quais informações você precisa ter para decidir? O que está te atrapalhando? Com o que vale e com o que não vale a pena se preocupar? Imagine que, de tudo que está observando, você vai escolher quais informações são realmente úteis para a situação (essa parte possui um fator consciente e outro inconsciente, mas isso é outra história).
Agora, decida o que fazer. Simples assim. Após observar e orientar, você tem que decidir. Pare de enrolar. Se houvesse realmente um avião armado vindo em sua direção você não iria ficar sentado pensando. Você precisa tomar uma decisão antes que o inimigo lhe dê uma passagem só de ida para o céu.
Por último, a ação. Faça alguma coisa. Se não souber o que fazer, faça qualquer coisa, por menor que seja. O importante é partir para a ação o mais rápido possível. Sair da zona de conforto, deixar de ser um patinho sentado no meio do radar do inimigo e começar a mudar sua situação.
Agora, volte ao início: observe o resultado de suas ações no mundo e comece outra vez.
Viu como batalhas aéreas podem ser divertidas?

10 atitudes empreendedoras de sucesso


Uma boa parte do meu trabalho é dedicada para pesquisar e entender o mundo dos negócios sob dois pontos de vista muito diferentes: o dos empregados e o dos empregadores.
Dessa forma, posso afirmar que as razões que distinguem os profissionais bem-sucedidos dos empresários bem-sucedidos são convergentes e possuem motivações semelhantes.
Na prática, para ter sucesso em ambos os lados é necessário disciplina, otimismo, persistência, fé, determinação, planejamento, estratégia, sentido de realização e uma vontade inabalável de prosperar.
Simples, porém, na prática, ainda que alguém domine todas essas competências, o sucesso não está garantido. O encontro entre talento, preparação e oportunidade precisa ser provocado com frequência.
Veja o exemplo de Thomas Watson Sr. Em 1924, a Computing Tabulating Recording Company (CTR) era somente uma das 100 empresas de médio porte tentando sobreviver nos Estados Unidos, segundo James Collins e Jerry Porras, autores do best seller Feitas para Durar.
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A CTR comercializava basicamente relógios de ponto e balanças, tinha apenas 52 vendedores com uma cota mensal de vendas a cumprir e um futuro nada promissor, a exemplo de muitas empresas de hoje.
Certo dia, quando Watson Sr. chegou em casa, deu um abraço na esposa e anunciou com orgulho que a CTR mudaria de nome e passaria a ser conhecida pelo grandioso nome de International Business Machines, seu filho Thomas Watson Jr. permaneceu parado na porta da sala, pensando: aquela empresa pequenininha?
Hoje não existe nada de estranho no nome International Business Machines, mas, na época soava até ridículo. De acordo com Michael Gerber, autor de O mito do empreendedor, as perguntas a seguir foram utilizadas por Watson Sr. antes mesmo de a IBM se tornar uma empresa de sucesso:
- Existe uma visão bem clara de como será a empresa quando ela estiver pronta?
- Como a empresa precisa agir para se tornar uma empresa de sucesso?
- Se a empresa sabe como agir desde o princípio para alcançar a visão de futuro, então por que não começa imediatamente?
Com base no exemplo mencionado e em outros milhares de empreendedores que, a despeito de todas as dificuldades, prosperaram, compartilho aqui algumas atitudes empreendedoras essenciais para a construção de um negócio bem-sucedido.
Para quem já teve a oportunidade de ler o meu livro Manual do Empreendedor (Editora Atlas), esse conjunto de atitudes, desenvolvido a partir dos estudos de Jeffrey Timmons, pesquisador do empreendedorismo, foi denominado de A Receita do Sucesso nos Negócios. Vejamos:
1 - Desenvolva uma estratégia convincente e clara.
2 - Comunique a essência da visão e da missão; não perca o principal objetivo de vista; mantenha o foco.
3 - Crie um diferencial nos seus produtos e serviços; é a sua vantagem competitiva.
4 - Não há segredos; somente o trabalho duro dará resultados.
5 - Nada é mais importante do que um fluxo de caixa positivo.
6 - Se você ensina uma pessoa a trabalhar para outras, você a alimenta por um ano; se você a estimula a ser empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras, durante toda a vida.
7 - Um negócio bem-sucedido, antes de ser técnico ou financeiro, é fundamentalmente um processo humano; as pessoas são importantes.
8 - Realizar com o sentido de contribuir é mais importante do que ganhar dinheiro.
9 - A sorte favorece os que são persistentes; enquanto a sorte não vem, continue caminhando.
10 - A felicidade é um fluxo de caixa positivo.
Em qualquer negócio de sucesso, atitudes empreendedoras são determinantes. Não basta ser um excelente técnico nem um profundo conhecedor do assunto. Se isso fosse suficiente, nenhuma empresa quebraria.
Pense nisso, empreenda e seja feliz.

Do que são feitas as empresas imbatíveis?


Meu último artigo, "Três palavras que garantem o fracasso", gerou polêmica. Ele dividiu os leitores entre apoiadores – muitos dos quais dispostos a eliminar a expressão "eu vou tentar" da sua rotina – e alguns poucos críticos, que viram a minha opinião como sendo um mandamento corporativo em prol da exploração dos trabalhadores ou ainda como um dogma já obsoleto da administração.

Ao longo dos últimos anos tenho defendido uma filosofia contrária a esse tipo de crítica. Através da fundamentação do campo de estudos do Stakeholding, também criei o conceito de Unbeatability, segundo o qual empresas seriam capazes de dar um passo adiante no contexto da competitividade, tornando-se tecnicamente imbatíveis na relação com alguns de seus stakeholders, como clientes, funcionários ou mesmo investidores.

O resultado é um aproveitamento dos recursos humanos muito mais inteligente, já que alivia a pressão competitiva sobre os colaboradores, reduzindo a carga de trabalho e aumentando a qualidade de vida. A minha proposta sempre foi trocar a exploração pela inteligência, e não o contrário. Algo que me proponho a detalhar no workshop, "Como construir negócios imbatíveis", que deverá acontecer em diversas cidades.
De antemão, podemos ver algumas das características inerentes a esse tipo de empresa.

O amor é realmente tudo o que precisamos

À primeira vista, a inspiração de John Lennon parece ser um absurdo, principalmente quando trazida ao meio corporativo. No entanto, devemos considerar que toda organização é baseada em um complexo esquema de trocas, sejam elas por produtos, produtividade ou mesmo conceitos. O que define a forma como essas trocas serão realizadas é a percepção dos indivíduos sobre os benefícios que deverão ser adquiridos, o famoso "o que é que eu ganho com isso".
Esses benefícios podem satisfazer uma necessidade meramente racional e quantitativa ou se estender pela realização de um desejo emocional. No primeiro caso, ganha quem puder oferecer mais pelo menor preço, ou maior salário. Já no segundo, as alternativas concorrentes não são nem mesmo consideradas. Significa amar uma opção pela convicção de que só ela poderá satisfazer os seus interesses. Ou visto de outra forma, empresas imbatíveis são aquelas capazes de conquistar o amor dos seus stakeholders, não necessariamente com mais trabalho, mas sim com mais inteligência.

Capacidade de construir tendências de comportamento

Se todo consultor tem a sua própria ladainha sobre o que uma empresa deve fazer, a minha talvez seja "aprenda a estabelecer tendências favoráveis de comportamento". Sem essa habilidade, produtos excelentes fracassam, equipes talentosas ficam desmotivadas e é claro, investidores procuram outras ondas para surfar.
Esse princípio deixa clara a importância de entender o ser humano para então colocá-lo no centro dos processos. Só assim é possível satisfazer os seus interesses e esperar que ele satisfaça as necessidades da organização. Em síntese, isso é o que significa estabelecer tendências favoráveis de comportamento, oferecer o objeto de troca (seja ele tangível ou não) adequado à resposta pretendida.

Engenharia de marca

A marca é o componente responsável por agregar tudo o que uma organização representa aos olhos daqueles que exercem qualquer influência sobre as suas atividades. Por consequência, empresas imbatíveis devem ser capazes de orientar o desenvolvimento da sua imagem de modo a agregar benefícios – principalmente os de satisfação das necessidades emocionais – às trocas que propõe aos seus stakeholders.
O resultado da engenharia de marca é o que consolidada as tendências favoráveis de comportamento e claro, o amor das pessoas pela sua empresa.

Três palavras que garantem o fracasso


No conto de Ali Babá e os 40 ladrões a frase "abre-te sésamo" teria a mágica propriedade de um controle remoto. Pronunciá-la era o suficiente para que a entrada da caverna dos tesouros roubados fosse aberta, deixando o protagonista da história rico. Sésamo em português de Portugal é o nosso gergelim (aquele que vem em cima do pão). Sua planta se abre de forma lenta, soltando as sementes aos poucos, tal qual se espera de um depósito tão valioso. Era o inacreditável poder da analogia.

Diferente da fantasia de Ali Babá, há 3 palavras que são verdadeiramente capazes de alterar o andamento das coisas, mas ao invés de atrair riquezas, elas garantem o fracasso quando pronunciadas em sequência. Vamos ver como funciona a mecânica por trás da expressão "eu vou tentar".

A falta de compromisso e confiança

Qualquer acordo que envolva a frase "eu vou tentar" já começa dando errado. Para aquele que diz, é uma declaração da sua provável incapacidade e, por isso, não conseguir é um resultado bastante aceitável. Quem escuta, por outro lado, endossa a postura e passa a esperar por uma falha. Nesse casso, o sucesso é lucro. Se as duas partes veem o fracasso como sendo a opção mais provável, não há por que fazer um esforço a mais no sentido de conseguir.

O medo de fracassar

Não há nada de errado em fracassar. De fato, toda grande conquista precisou de uma série de fracassos até que encontrasse um modelo de funcionamento ideal, ou visto de outra forma, talvez o fracasso seja a grande matéria prima do sucesso. O problema está em tentar ao invés de estabelecer uma meta de conseguir. Somente através de um esforço genuíno é possível obter resultados confiáveis sobre o que pode ou não dar certo. O que não acontece quando, motivado pelo medo de falhar, se inicia a empreitada usando a expressão "eu vou tentar".

A exclusão das alternativas

A flexibilidade é outro grande componente do sucesso. Significa adaptar as estratégias e ações às circunstâncias, em prol de um objetivo final amplo, buscando alternativas mais inteligentes diante de cada novo pequeno fracasso. Isso exige comprometimento com a meta de conseguir. Aqueles que simplesmente tentam, deixam o assunto de lado no primeiro revés. Afinal, o fracasso sempre foi a opção mais provável para eles.

Trabalho sem estresse


A busca por resultados e a competitividade profissional são algumas dos fatores que tem levado várias pessoas a dedicarem horas a fio ao trabalho. Alguns, de tão comprometidos, são conhecidos como workaholics. O termo em inglês que designa as pessoas viciadas em trabalho, era moda até pouco tempo atrás. Contudo, as empresas passaram a encarar esse comportamento como um desequilíbrio prejudicial à saúde do funcionário e aos negócios.

Uma das consequências do excesso de trabalho é o estresse. Levantamento feito pela Asap, consultoria de recrutamento de executivos, revelou que 67% dos profissionais entrevistados afirmam que tem a vida pessoal comprometida pela sobrecarga de trabalho e se consideram vítimas do cansaço e estresse. A pesquisa ouviu 1.090 profissionais de todo o país, sendo que mais da metade era formada por executivos com cargo de gerência ou analistas.

A carga horária excessiva, por exemplo, traz muitos prejuízos para a empresa. Funcionários que faz horas extras custam caro não só do ponto de vista financeiro. O cansaço e o estresse comprometem a criatividade e o rendimento dos colaboradores, além de afetar a qualidade de vida. Isso favorece o aparecimento de diversas doenças e a incidência de licenças médica, com certeza, aumenta.
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Por essa razão, para as empresas, o funcionário ideal passou a ser aquele que consegue conciliar a carreira com sua vida pessoal. É possível ter um excelente desempenho no trabalho e ainda ter tempo para a família e o lazer. Mas é importante lembrar que algumas empresas ainda cobram muito dos seus funcionários. Não vejo isso como vantagem. Depois de 10 horas seguidas de trabalho, o rendimento do colaborador cai consideravelmente. Melhor trabalhar oito horas com qualidade do que 12 horas e ter a produtividade comprometida pela metade.
Gerenciar o tempo – Muitos profissionais têm a carga horária de trabalho dobrada por falta de gerenciamento do tempo. De acordo com especialistas, a internet facilitou a vida das empresas, mas é uma das responsáveis pela queda de produtividade de muitos profissionais. O hábito de checar e-mails com freqüência, navegar em sites de notícias e pelas mídias sociais tornou-se um hábito. Se mal gerenciada, essa mania desvia nossa atenção, nos afastando das atividades do trabalho, obrigando-nos a estender o horário de trabalho.
A dica é separar um momento do dia para checar e-mails e dar aquela espiada nas páginas de relacionamento pessoais como Facebook e Twitter. Nesses casos, a regra básica é ter bom senso.
Por traz do sucesso – Quanto maior o cargo na empresa, maior a cobrança. Por essa razão, muitos profissionais em posições de gerência trabalham o dobro, se afastam do lazer e do convívio familiar e, para darem conta do recado, abusam do uso de medicamento. Estudo da ePharma, empresa especializada em planos farmacêuticos corporativos, apontou que os executivos brasileiros consumiram mais medicamentos para ansiedade e depressão do que para outras doenças como diabetes e hipertensão.
Uma das drogas preferidas já é uma das mais consumidas no país: Rivotril. O medicamento, usado no tratamento de depressão, insônia e crise do pânico. Muitos gestores assumem alta carga de responsabilidade e precisam passar confiança aos liderados. É uma missão que, mal conduzida, leva ao estresse. Alguns, infelizmente, recorrem ao uso de medicamentos cada vez mais forte para suportar a pressão. Nesse caso, é necessária uma auto-avaliação para saber o que é preciso melhorar e/ou alterar na forma como trabalhamos. Reconhecer os próprios limites é fundamental.
Trabalho na medida certa
Veja dicas para aumentar a produtividade sem ficar sobrecarregado no trabalho:
- Faça pausas curtas periódicas durante o dia. Alongue-se e beba bastante água;
- Praticar atividades físicas periódicas é bom para a saúde, além de aumentar a produtividade e a eficiência no trabalho;
- Reserve um período do dia (a hora do almoço é mais aconselhada) para visitar as páginas pessoais nas mídias sociais. O mesmo vale para os e-mails pessoais;
- Reserve, também, um período do dia para ler e responder os e-mails corporativos;
- Aprenda a dizer não com assertividade. Concentre-se nas atividades prioritárias e saiba negociar prazos;
- Não leve trabalho para casa e use os finais de semana para atividades de lazer. Evite, também, acessar e-mails profissionais nos dias de folga. Exceto em casos de extrema urgência. Do contrário, use esse dia para descansar;
- Faça uma autoavaliação. Ao perceber que a saúde está em risco, faça uma pausa;
- Mantenha um relacionamento harmonioso com os colegas de trabalho;
- Procure alimentar-se nos horários corretos e busque uma alimentação balanceada, pausada e sem correria.